A Arquitetura Persuassiva das Plataformas Digitais como Vetor de Adultização: Desafios para a Regulação e a Educação

A metáfora da "Terra do Nunca", de J. M. Barrie representa com precisão o ambiente digital contemporâneo: um território sedutor e sem fronteiras que, sob uma fachada lúdica, esconde os "ganchos" invisíveis de uma arquitetura projetada para capturar e reter a atenção. Esse projeto, alicerçado no capitalismo de vigilância descrito por Shoshana Zuboff, tem como combustível os dados dos usuários e, como mecanismo central, a arquitetura persuasiva – um conjunto de técnicas (reprodução automática, notificações, recompensas variáveis) que condicionam o comportamento e aceleram artificialmente o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Este ensaio analisa como essa arquitetura atua como um potente vetor de adultização precoce, impondo aos jovens padrões estéticos, linguagens e preocupações típicas da vida adulta, e discute os complexos desafios que esse fenômeno representa para a regulação estatal e para a educação.

Ademais, a adultização online é um subproduto direto da lógica de negócio das plataformas. Como previsto por Neil Postman, a infância, enquanto fase distinta e protegida está se dissipando em um ambiente que não reconhece fronteiras etárias. Além disso, a arquitetura algorítmica persuasiva explora a hipervulnerabilidade digital de crianças e adolescentes – uma condição de assimetria informacional, técnica e neurocognitiva que os torna alvos fáceis. Suas "sombras digitais", metáfora para os rastros de dados que deixam online, são capturadas e utilizadas para criar perfis comportamentais detalhados. Então, esse material alimenta sistemas de recomendação que, prioritizando o engajamento, frequentemente os expõem a conteúdos sexualizados, desafios perigosos e publicidades predatórias, roubando-lhes o direito a um desenvolvimento psicossocial saudável e natural.

Diante desse cenário, a atuação estatal, na visão de Ingo Wolfgang Sarlet, torna-se imperativa para a realização concreta dos direitos fundamentais. Conforme a resposta jurídica que se materializou na Lei nº 15.211/25, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), cujos pilares foram sintetizados por Laís Peretto. Nesse sentido, a lei opera uma mudança de paradigma, invertendo o ônus da proteção: de uma postura reativa das plataformas para uma obrigação proativa de segurança desde a concepção (Safety by Design). Seus mecanismos incluem:

           - Transparência algorítmica e adoção de configurações de privacidade no nível máximo por padrão.

- Verificação etária confiável (não por autodeclaração) e ferramentas de controle parental acessíveis.

- Proibição do perfilamento e da publicidade direcionada a crianças.

- Remoção ágil de conteúdos ilegais, como os de abuso e exploração sexual.

Ademais, a fiscalização ficará a cargo de uma autoridade nacional autônoma, com previsão de multas que podem chegar a R$ 50 milhões por infração, garantindo o poder de coercividade necessário.

Portanto, apesar do avanço legal, obstáculos significativos persistem. Na regulação, há uma tensão constante entre proteção e liberdade de expressão, além da complexidade técnica de fiscalizar algoritmos opacos, como bem aponta o senador Alessandro Vieira, relator da ECA Digital. Paralelamente, os estudos de Daniel Becker pediatra, revelam que a exposição precoce pode gerar traumas profundos e comprometer a formação da personalidade, exigindo uma abordagem educacional que vá além da tela. A pesquisa de Danillo Magnum Farias Chagas e colegas da Universidade Tiradentes corrobora essa visão, associando o uso excessivo de mídias digitais ao aumento de sintomas de depressão e estresse em adolescentes. Nesse contexto, o advocacy digital de figuras como Felca (Felipe Bressanim) foi crucial para dar visibilidade ao problema, catalisando um movimento social que pressionou o poder público a agir. Por fim, a efetividade da lei dependerá de um esforço coletivo, que envolva, conforme defende Flávio Arns, relator do projeto no Senado, não apenas a coerção sobre as plataformas, mas também a promoção de uma educação midática crítica para capacitar jovens, famílias e educadores a navegarem esse ambiente de forma segura e consciente. 

REFERÊNCIAS

ARNS, Flávio. Educação digital e proteção infantojuvenil. Brasília: Senado Federal, 2025.

BARRIE, J. M. Peter e Wendy: a metáfora da "Terra do Nunca" para descrever o ambiente digital contemporâneo. Londres: Hodder & Stoughton, 1911.

BARRIE, J. M. Peter Pan. London: Hodder & Stoughton, 1911.

BECKER, Daniel. Crianças sob pressão digital: saúde emocional e desenvolvimento. São Paulo: Companhia das Letras, 2023.

BRESSANIM, Felipe (Felca). O poder das telas e a infância perdida. São Paulo: Autêntica, 2024.

BRASIL. Lei nº 15.211, de 10 de setembro de 2025. Institui o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). Diário Oficial da União: Poder Executivo, Brasília, DF, 11 set. 2025.

CHAGAS, Danillo Magnum Farias et al. Uso excessivo de mídias digitais e saúde mental de adolescentes. Aracaju: Universidade Tiradentes, 2022.

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA E FORMAÇÃO CRÍTICA NA ERA DIGITAL. In: Neurociência e Gamificação. E-book, 2025. p. 43–51. Disponível em: https://zenodo.org/records/14645722. Acesso em: 21 out. 2025.

PERETTO, Laís. ECA Digital: proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. Brasília: Senado Federal, 2025.

POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Tradução de Suzana Menescal e José Laurênio de Melo. Rio de Janeiro: Graphia, 1999.

POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia, 1994.

SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 13. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2018.

SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição Federal de 1988. 12. ed. rev. e atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2022.

SOARES, Marco Britto. Educação midiática, jornalismo na escola e o desafio da avaliação. 2025. Dissertação (Mestrado em Jornalismo) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2025.

VIEIRA, Alessandro. Relatório do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). Brasília: Senado Federal, 2025.

ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Tradução de George Schlesinger. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.

ZUBOFF, Shoshana. The age of surveillance capitalism: the fight for a human future at the new frontier of power. New York: PublicAffairs, 2019.

 

 







O Pensamento Extremista no Mundo do Simbólico: Uma Construção Rizomática entre a Clínica de Freud e Lacan

     O pensamento extremista tem se tornado um fenômeno cada vez mais visível na sociedade contemporânea, influenciando debates políticos e sociais e levando a conflitos polarizados. À luz da psicanálise freudiana e lacaniana, é possível entender o extremismo como uma tentativa de lidar com as angústias do sujeito inserido no campo do Simbólico, que representa a ordem da linguagem e da cultura. A partir de uma perspectiva rizomática, tal como sugerida pelos filósofos Deleuze e Guattari, o extremismo pode ser interpretado como uma resistência a uma construção múltipla e fluida de significados, optando pela rigidez e pela exclusão de outras possibilidades simbólicas. Diante desse cenário, é necessário refletir sobre os impactos desse fenômeno no campo social e propor alternativas para enfrentá-lo.

Em primeiro lugar, segundo Freud, o sujeito é movido por pulsões que muitas vezes escapam ao controle consciente. No pensamento extremista, observa-se uma tendência a canalizar essas pulsões em direção a uma visão de mundo maniqueísta, que simplifica a complexidade da realidade e promove uma divisão radical entre "bem" e "mal". A teoria lacaniana do Simbólico complementa essa análise ao destacar que o sujeito se constitui a partir de uma relação com o Outro, ou seja, com a linguagem e as normas sociais. O extremismo surge como uma tentativa de negar essa alteridade, buscando um retorno ao Imaginário, onde as divisões são mais claras e confortáveis, evitando a angústia causada pela multiplicidade de significados que o Simbólico impõe.

Além disso, a ideia de uma "construção rizomática", proposta por Deleuze e Guattari, oferece uma metáfora interessante para entender a fluidez das conexões simbólicas que estruturam o pensamento humano. Enquanto o rizoma representa a multiplicidade e a interconexão, o pensamento extremista se coloca na contramão dessa dinâmica, optando por uma visão rígida e hierárquica. A estrutura rizomática permite uma abertura ao diverso e ao múltiplo, enquanto o extremismo busca a homogeneidade e a exclusão de qualquer diferença. Assim, o extremista rejeita a complexidade rizomática do Simbólico e busca refúgio em uma estrutura fixa, gerando divisões sociais e políticas perigosas.

Diante desses desafios, é fundamental pensar em intervenções que promovam uma maior abertura para a pluralidade de ideias e para o diálogo. No âmbito educacional, a implementação de programas que incentivem o pensamento crítico e a capacidade de lidar com diferentes perspectivas é crucial para combater a rigidez do pensamento extremista. Além disso, é necessário fortalecer espaços de debate e convivência, tanto no ambiente digital quanto no presencial, que incentivem a troca respeitosa de ideias e a valorização da diversidade simbólica. A psicanálise, ao oferecer uma compreensão profunda das motivações inconscientes por trás do extremismo, pode contribuir para políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da saúde mental e do diálogo social.

Em suma, o pensamento extremista, quando analisado à luz da psicanálise e da filosofia contemporânea, revela-se como uma reação à complexidade do mundo Simbólico, buscando simplificações rígidas e excludentes. Para enfrentá-lo, é essencial promover uma cultura que valorize a diversidade e o diálogo, abrindo espaço para uma construção rizomática de significados, onde o múltiplo possa coexistir. Assim, será possível construir uma sociedade mais inclusiva e menos suscetível aos perigos da polarização.os perigos da polarização.

A Importância da Solidão para o Ser Humano



A IMPORTÂNCIA DE SER SOZINHO

Em 15 de agosto de 2023, a BBC News Brasil informou que o jornal científico The Lancet anunciou em julho a criação de um comitê para estudar a solidão e o isolamento social.

Em um editorial sobre o tema, os responsáveis pela publicação destacaram a crescente relevância desses fatores negativos para a saúde física e mental. Eles afirmam que conexões sociais empobrecidas estão associadas a um risco aumentado de várias doenças, como cardiovasculares, hipertensão, diabetes, infecções, declínio cognitivo, depressão e ansiedade.

O objetivo do comitê é definir o que é a solidão, como identificá-la e determinar as melhores formas de combatê-la com base em evidências científicas. Além dessa iniciativa, outros governos, como os do Reino Unido e Japão, já criaram “Ministérios da Solidão” em 2018 e 2021, respectivamente.

Em síntese, a solidão se revele a princípio como um “mal do século”, um problema do Nouveau Siècle”, que pode ser visto como “crítico” ao ser humano. Entretanto há, sim, uma nuvem no céu ou uma luz ao final do túnel. Além disso, não estamos fadados ao fracasso, e sim, à solidão. Não podemos viver sem ela. Muito menos, podemos nos subjulgar ao vivermos contemplando a mesa com farelos de pão como disse o poeta Fernando Pessoa ou Ferreira Gullar em se “Poema Sujo”. Entretanto, a solidão que falo não é a solitude ainda; não é o desejo proibido em Herman Hesse em Solidão e O Lobo da Estepe.

 

“Podem as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho da mesa com farelos de pão por baixo dos pratos,
Eu, que tenho vergonha de pedir emprestado a não sei quem um guardanapo limpo,
Eu que sinto nos dentes as cáries das línguas de todas as línguas,
Eu que vim do espelho e não era ainda o espelho o espelho que me refletia (...)”

 

[Fernando Pessoa, O Poema em Linha Reta]

 

            O que seria do poeta sem a solidão de criar? Seria esse o sentido essencial da palavra solitude? Posso criar sozinho, você não pode?”Acredito que a solidão não seja tão expansiva, mas fique como um semente levada por um pássaro no horizonte perdido.

 

            “Alcançou o seu objetivo, foi cada vez mais independente, ninguém tinha nada que mandar-lhe, a ninguém tinha de dar conta dos seus atos, só ele e livremente determinava a seu bel prazer, o que havia de fazer ou o que havia de deixar.

[Hermann Hesse, Solidão – O Lobo da Estepe]

            À respeito da solidão, aqui está um trecho relevante do "Poema Sujo" que menciona os farelos de pão:

 

"naquela mesa está faltando ele
e a saudade dele está doendo em mim...
os farelos de pão, as migalhas,
o chão sujo de farelos e de migalhas de pão..."

             

            

Respeito muito a opinião de muitos especialistas, mas a solidão é fundamental para quem pensa, e que não possa viver em conflitos com o outro, mas que suporte metafisicamente a sua própria solidão. Entretanto, é importante reconhecer que a solidão também pode oferecer benefícios significativos. Em um mundo saturado de estímulos e interações constantes, momentos de solidão proporcionam uma oportunidade para reflexão e autoconhecimento. A solidão permite que indivíduos se desconectem das pressões externas e explorem seus próprios pensamentos e emoções em profundidade. Este espaço pessoal pode ser essencial para o crescimento intelectual e emocional.

Em última análise, o conceito de "outro" na filosofia é essencial para entender a formação da identidade, a ética e as relações sociais. Através das diversas abordagens filosóficas, podemos ver como a interação com o "outro" molda nossa experiência de vida e nos desafia a reconhecer a profundidade e a complexidade da alteridade. Reconhecer e respeitar o "outro" é um passo fundamental para construir uma sociedade mais justa e empática.

Jorge Forbes, Vida e Obra


 


         Jorge Forbes é um renomado psicanalista, psiquiatra e escritor brasileiro, nascido em 1947. Sua carreira é marcada por contribuições significativas para o campo da psicanálise e da psiquiatria, além de uma presença destacada na mídia e na cultura contemporânea.

Forbes é conhecido por sua abordagem inovadora e crítica dentro da psicanálise, frequentemente explorando temas como a relação entre psicanálise e cultura, psicanálise e política, e a aplicação da teoria psicanalítica em diferentes contextos sociais e individuais.

Ele é autor de diversos livros, onde explora suas ideias e reflexões sobre a psicanálise e temas correlatos. Alguns de seus livros mais conhecidos incluem:

1. "O Conceito de Estranheza" - Neste livro, Forbes discute a estranheza como um conceito fundamental na psicanálise, explorando suas implicações clínicas e teóricas.

2. "A Violência Espectral" - Aqui, o autor investiga a natureza da violência na sociedade contemporânea, usando a psicanálise como uma lente para compreender suas manifestações.

3. "Política, Psicanálise e Sociedade" - Nesta obra, Forbes analisa as interseções entre política e psicanálise, oferecendo insights sobre como esses campos se influenciam mutuamente.

Além de sua produção literária, Jorge Forbes também é conhecido por sua participação em programas de televisão e por suas palestras e seminários em universidades e eventos acadêmicos ao redor do mundo. Sua capacidade de traduzir conceitos psicanalíticos complexos em uma linguagem acessível contribui significativamente para a disseminação e compreensão da psicanálise na cultura contemporânea brasileira e internacional.

Em última análise, a vida de Jorge Forbes é um testemunho vivo da capacidade da psicanálise não apenas de oferecer insights profundos sobre a mente humana, mas também de se engajar de maneira crítica e transformadora com os desafios e complexidades da sociedade contemporânea. Sua obra e seu percurso profissional não apenas enriqueceram o campo da psicanálise no Brasil e além, mas também ampliaram as fronteiras do conhecimento ao explorar interseções com a política, a cultura e outras disciplinas. Jorge Forbes continua a inspirar não apenas como um pensador inovador, mas também como um comunicador habilidoso, capaz de tornar acessíveis os conceitos psicanalíticos mais profundos para um público diversificado, promovendo assim uma compreensão mais ampla e inclusiva da psique humana e de seus desafios.


Adler: Sentimento de Inferioridade e Complexo de Inferioridade: Implicações e Superações

 


   A psicologia individual de Alfred Adler oferece uma perspectiva única sobre o desenvolvimento humano, destacando a importância do sentimento de inferioridade e do complexo de inferioridade. Essas teorias não apenas elucidam as motivações subjacentes ao comportamento humano, mas também oferecem insights valiosos para o enfrentamento de desafios psicológicos. Em uma sociedade cada vez mais competitiva e exigente, entender esses conceitos é crucial para promover a saúde mental e o bem-estar.

 

 O Sentimento de Inferioridade: Motor da Superação

 

Adler postulou que o sentimento de inferioridade é uma experiência universal e inevitável. Desde a infância, os indivíduos se deparam com limitações físicas e cognitivas que geram um senso de insuficiência. Esse sentimento, no entanto, não é intrinsecamente negativo. Para Adler, ele funciona como um motor que impulsiona a pessoa a buscar o crescimento, a superação e a excelência. Por exemplo, uma criança que se sente inferior em determinada habilidade pode ser motivada a praticar mais e, eventualmente, alcançar um nível de competência superior. Assim, o sentimento de inferioridade pode ser um estímulo para o desenvolvimento pessoal e profissional.

 

 O Complexo de Inferioridade: Um Obstáculo ao Progresso

 

Quando o sentimento de inferioridade se torna excessivo ou paralisante, desenvolve-se o que Adler chamou de complexo de inferioridade. Nesse estado, o indivíduo sente-se incapaz de enfrentar e superar suas dificuldades, o que pode resultar em baixa autoestima, ansiedade e até depressão. O complexo de inferioridade impede o indivíduo de reconhecer e valorizar suas capacidades, levando a um ciclo de autossabotagem e estagnação. Em um ambiente escolar, por exemplo, um estudante com complexo de inferioridade pode evitar desafios acadêmicos, comprometendo seu aprendizado e desenvolvimento.

 

 Influências Sociais e Culturais

 

Adler enfatizou a influência do ambiente social e cultural na formação e manutenção do sentimento e do complexo de inferioridade. A comparação constante com padrões inatingíveis de sucesso e beleza, promovidos pela mídia e pelas redes sociais, pode exacerbar sentimentos de inadequação. Além disso, um sistema educacional ou profissional que valoriza excessivamente o desempenho competitivo pode contribuir para o desenvolvimento de complexos de inferioridade. É crucial que a sociedade promova ambientes que valorizem a cooperação, a empatia e o reconhecimento das conquistas individuais, em vez de focar apenas na competição.

  

 Estratégias de Superação

 

Superar o complexo de inferioridade envolve uma combinação de autoaceitação, resiliência e apoio social. Terapias baseadas na psicologia adleriana, por exemplo, incentivam os indivíduos a reestruturar suas crenças limitantes, desenvolver uma visão mais equilibrada de suas capacidades e cultivar um senso de pertencimento e contribuição para a comunidade. Programas educacionais e profissionais que promovam a autoestima, o trabalho em equipe e a valorização das diferenças individuais também são fundamentais para mitigar os efeitos do complexo de inferioridade.

 

 Conclusão

 

O sentimento de inferioridade, quando compreendido e canalizado adequadamente, pode ser uma força motivadora poderosa, incentivando o desenvolvimento e a realização pessoal. No entanto, quando se transforma em um complexo de inferioridade, pode se tornar um obstáculo significativo. Ao reconhecer a influência dos fatores sociais e culturais e implementar estratégias de superação, é possível transformar essa experiência em uma oportunidade para o crescimento e a contribuição positiva para a sociedade. Assim, a compreensão e o manejo do sentimento de inferioridade são essenciais para promover a saúde mental e o bem-estar coletivo em um mundo cada vez mais desafiador.






Autossabotagem: Um Obstáculo Invisível ao Sucesso Pessoal


No turbilhão da vida contemporânea, muitos indivíduos enfrentam um desafio sutil e persistente que mina suas próprias conquistas: a autossabotagem. Este fenômeno, que se manifesta de maneiras diversas, representa um obstáculo invisível ao desenvolvimento pessoal e ao alcance de metas. Compreender suas causas, impactos e estratégias para sua superação é crucial para uma jornada de crescimento pleno e efetivo.

Em primeiro lugar, é fundamental discutir as raízes da autossabotagem. Ela frequentemente emerge de um padrão comportamental enraizado na autoestima fragilizada ou na falta de autoconfiança. Indivíduos que internalizam crenças limitantes sobre suas capacidades tendem a agir de maneira que contradiz seus objetivos mais profundos, criando barreiras que impedem o progresso pessoal. Além disso, a pressão social e as expectativas externas podem contribuir para o fenômeno, exacerbando a sensação de inadequação e o medo do fracasso.

Os impactos da autossabotagem são multifacetados e podem ser devastadores. Em âmbitos profissionais, indivíduos talentosos podem se ver estagnados em carreiras que não condizem com seu potencial, devido a comportamentos procrastinatórios ou ao medo de assumir novos desafios. No campo acadêmico, alunos promissores podem sabotar seu desempenho em exames importantes por subestimar suas habilidades ou se autoperceberem como incapazes. A nível pessoal, relacionamentos podem ser afetados pela auto-sabotagem, prejudicando conexões interpessoais valiosas e levando a um ciclo de autocomiseração e isolamento.

Superar a autossabotagem demanda um processo de autoconhecimento e autotransformação. Primeiramente, é essencial identificar os padrões de comportamento que contribuem para o autoimpedimento. Isso pode ser facilitado por meio da prática da auto-observação e da reflexão consciente sobre as próprias ações e pensamentos. Em seguida, desenvolver uma mentalidade de crescimento e fortalecer a autoestima são passos cruciais. Isso pode incluir buscar apoio psicológico, participar de grupos de suporte ou adotar técnicas de coaching que promovam a autoaceitação e a valorização das próprias capacidades.

Segundo a psiquiatra Ana Barbosa, a autossabotagem é um fenômeno complexo que envolve tanto aspectos emocionais quanto comportamentais. Em sua análise, ela destaca que indivíduos que se autossabotam muitas vezes enfrentam um conflito interno profundo entre o desejo de alcançar objetivos e a autopercepção negativa de suas próprias capacidades. Esse conflito pode surgir de experiências passadas de fracasso ou críticas recebidas, que são internalizadas e acabam moldando padrões de comportamento autodestrutivos. Para a psiquiatra, compreender esses padrões requer uma abordagem integrativa que considera não apenas a psicodinâmica individual, mas também os fatores contextuais que influenciam o comportamento autossabotador. Dessa forma, ela enfatiza a importância de intervenções terapêuticas que visem fortalecer a autoestima, promover a autoaceitação e trabalhar na reestruturação cognitiva para ajudar os pacientes a romperem com esse ciclo prejudicial e alcançarem uma vida mais plena e satisfatória.

Além disso, estabelecer metas claras e alcançáveis, divididas em passos menores e mais gerenciáveis, pode ajudar a mitigar o impacto da autossabotagem. Ao focar na jornada de crescimento pessoal e na celebração de cada pequena conquista, os indivíduos podem cultivar uma mentalidade resiliente e progressiva, reduzindo gradualmente os comportamentos autossabotadores.

Por outro lado, é imperativo que a sociedade como um todo reconheça a complexidade e a prevalência da autossabotagem e promova um ambiente de apoio e compreensão para aqueles que lutam contra esse desafio. Ao incentivar a educação emocional desde cedo e ao destigmatizar o processo de buscar ajuda profissional para questões psicológicas, podemos construir uma comunidade mais empática e capacitada para enfrentar os desafios pessoais com coragem e determinação.

Em última análise, a autossabotagem representa um dilema contemporâneo que requer atenção e intervenção consciente. Com empatia e uma abordagem proativa, podemos trilhar um caminho de autodescoberta e crescimento pessoal, capacitando-nos a alcançar nosso potencial pleno e construir uma sociedade mais resiliente e realizada.

Para fornecer referências bibliográficas sobre autossabotagem, aqui estão alguns estudos e livros que exploram o tema:

1. Livros:

FIORE, N., & Chorney, AI (Eds.). (2019). Autossabotagem em Relacionamentos Românticos: um Guia para Compreender e Reconectar-se com seu Parceiro. Routledge.

LERNER, H. (2015). A Dança do Medo: Superando a Ansiedade, o Medo e a Vergonha para ser o que Você tem de Melhor e mais Corajoso. HarperCollins.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Depressivas: as Três Dimensões da Doença do Século. São Paulo: Principium, 2016, 286 p.

SWEENY, K., & Krizan, Z. (Eds.). (2017). O Manual Wiley Blackwell de Psicologia do Autocontrole. Wiley-Blackwell.

WACHTEL, PL (2018). O Sabotador Interior: O Guia Definitivo para Superar a Autossabotagem. HarperOne.

2. Artigos Científicos:

SIROIS, FM e Pychyl, TA (2013). Procrastinação e a Prioridade da Regulação do Humor a Curto Prazo: Consequências para O Eu Futuro. Bússola de Psicologia Social e da Personalidade, 7(2), 115-127.

TANGNEY, JP, Baumeister, RF e Boone, AL (2004). Alto Autocontrole Prediz Bom Ajustamento, Menos Patologia, Melhores Notas e Sucesso Interpessoal. Jornal de Personalidade, 72(2), 271-324.

SIROIS, FM (2014). Longe da vista, fora do tempo? Uma investigação meta-analítica sobre procrastinação e perspectiva de tempo. Jornal Europeu de Personalidade, 28(5), 511-520.

FERRARI, JR e Pychyl, TA (2012). Regulando Velocidade, Precisão e Julgamentos por Indecisão: Efeitos de Experiências Frequentes de Humor na Autorregulação. Personalidade e diferenças individuais, 53(8), 950-954.

Essas referências oferecem uma variedade de perspectivas teóricas e empíricas sobre autossabotagem, abrangendo desde estudos psicológicos até abordagens práticas para superar esse comportamento limitante.

 


Psiquiatra Brasileira Ana Beatriz: Vida e obra

 



Ana Beatriz Barbosa Silva é uma psiquiatra brasileira conhecida por suas contribuições no campo da psiquiatria e psicologia, especialmente em temas relacionados à psicopatia, violência, comportamento humano e suas interseções com a justiça. Ela é autora de diversos livros que abordam esses temas de maneira acessível ao público geral, tornando-se uma figura influente na divulgação científica no Brasil.

 

 Vida Pessoal e Formação Acadêmica

 

Ana Beatriz Barbosa Silva nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ela é formada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com especialização em psiquiatria. Posteriormente, realizou mestrado e doutorado em Saúde Mental pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

 

 Contribuições e Obra

 

 Livros e Publicações

 

Ana Beatriz é autora de diversos livros que exploram temas como psicopatia, violência, transtornos de personalidade e suas repercussões sociais. Alguns de seus livros mais conhecidos incluem:

 

- Mentes Perigosas: O Psicopata Mora ao Lado: Este livro se tornou um best-seller e ajudou a popularizar o entendimento sobre psicopatia no Brasil, abordando como identificar comportamentos psicopáticos e suas consequências na sociedade.

 

- Mentes Inquietas: TDAH, Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade: Foca nos transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, oferecendo insights sobre diagnóstico e tratamento.

 

- Mentes Ansiosas: O Medo e a Ansiedade Nossos de Cada Dia: Aborda os transtornos de ansiedade, proporcionando informações sobre suas causas, sintomas e tratamentos.

 

- Bullyng: Mentes Perigosas nas Escolas: Analisa o fenômeno do bullying nas escolas, destacando suas consequências para as vítimas e possíveis estratégias de intervenção.

 

 Atuação Profissional e Educacional

 

Além de sua contribuição como autora, Ana Beatriz é uma figura ativa no campo educacional e clínico. Ela trabalha como psiquiatra e é reconhecida por suas palestras e participações em eventos relacionados à saúde mental e psiquiatria. Sua abordagem combina conhecimento científico com uma linguagem acessível, permitindo que seus ensinamentos alcancem um público diversificado, incluindo profissionais da área de saúde, educadores, pais e o público em geral interessado em entender melhor questões relacionadas à mente humana.

 

 Impacto e Legado

 

Ana Beatriz Barbosa Silva tem impactado significativamente o campo da psiquiatria no Brasil ao aumentar a conscientização sobre temas complexos como psicopatia, transtornos de personalidade e saúde mental. Seus livros se tornaram referências importantes para profissionais de saúde, educadores e indivíduos que buscam compreender melhor o comportamento humano e suas variadas manifestações. Sua capacidade de traduzir conceitos acadêmicos em linguagem acessível contribui para a disseminação de informações precisas e relevantes sobre saúde mental na sociedade brasileira.

 

 Conclusão

 

Ana Beatriz Barbosa Silva é uma psiquiatra brasileira renomada, cujo trabalho tem sido fundamental para aumentar a compreensão pública sobre questões relacionadas à psicopatia, violência, transtornos de personalidade e saúde mental. Sua obra não apenas educou e informou o público em geral, mas também influenciou positivamente práticas clínicas e políticas públicas voltadas para a saúde mental no Brasil.

 

Alguns dos Livros Públicados pela Psiquiatra e Escritora Ana Beatriz: 

 

Mentes Perigosas: O Psicopata Mora ao Lado.

Mentes Inquietas: TDAH, Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade.

Mentes Ansiosas: O Medo e a Ansiedade Nossos de Cada Dia.

Bullyng: Mentes Perigosas nas Escolas.


A Violência contra a Mulher: Um Problema de Direitos Humanos e Saúde Pública

 


A violência contra a mulher é um grave problema de direitos humanos e de saúde pública que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. Essa violência pode assumir diversas formas, cada uma com suas características específicas e consequências devastadoras. A seguir, são descritos os principais tipos de violência contra a mulher:

 

 1. Violência Física

Esta forma de violência envolve o uso de força física contra a mulher, resultando em dor, lesões ou danos à saúde. Exemplos incluem:

 

- Espancamentos

- Chutes

- Estrangulamentos

- Queimaduras

- Uso de armas ou objetos para ferir

 

 2. Violência Sexual

A violência sexual inclui qualquer ato sexual não consentido ou forçado. Isso pode ocorrer dentro ou fora do casamento ou de outras relações íntimas. Exemplos incluem:

 

- Estupro

- Abuso sexual

- Assédio sexual

- Exploração sexual

- Tráfico para fins de exploração sexual

 

 3. Violência Psicológica

Também conhecida como violência emocional, esta forma de violência afeta o bem-estar mental e emocional da mulher. Exemplos incluem:

 

- Ameaças de violência

- Intimidação

- Isolamento

- Humilhação constante

- Controle excessivo ou possessividade

- Manipulação emocional

 

 4. Violência Econômica

A violência econômica impede a mulher de possuir ou controlar seus próprios recursos financeiros, restringindo sua independência econômica. Exemplos incluem:

 

- Controle do acesso a dinheiro e recursos financeiros

- Impedimento de trabalhar ou estudar

- Privação de necessidades básicas como alimentos, roupas e cuidados de saúde

 

 5. Violência Digital

Com o avanço da tecnologia, a violência contra a mulher também se manifesta no ambiente digital. Exemplos incluem:

 

- Cyberstalking (perseguição online)

- Compartilhamento não autorizado de imagens íntimas

- Assédio online através de redes sociais, e-mails ou mensagens

- Controle e monitoramento digital

 

 6. Violência Institucional

Este tipo de violência ocorre quando instituições, como governos, sistemas jurídicos e de saúde, falham em proteger as mulheres ou perpetuam práticas discriminatórias. Exemplos incluem:

 

- Negação de atendimento médico adequado

- Discriminação no acesso à justiça

- Políticas ou práticas institucionais que perpetuam a desigualdade de gênero

 

 7. Violência Obstétrica

A violência obstétrica acontece quando profissionais de saúde tratam mulheres de maneira desrespeitosa ou abusiva durante a gravidez, parto ou pós-parto. Exemplos incluem:

 

- Realização de procedimentos médicos sem consentimento

- Negligência e maus-tratos durante o parto

- Coerção para métodos contraceptivos

 

 8. Violência Doméstica

A violência doméstica é qualquer forma de violência que ocorre dentro do ambiente doméstico e pode incluir violência física, sexual, psicológica e econômica. Esta violência é frequentemente perpetrada por parceiros íntimos, mas também pode envolver outros membros da família.

 

 9. Violência de Gênero

A violência de gênero abrange todos os tipos de violência baseados no gênero, incluindo violência contra mulheres transgênero e outras pessoas que não se conformam com os papéis de gênero tradicionais.

 

 10. Violência Cultural

Esta forma de violência é perpetuada por práticas culturais, tradicionais ou religiosas que discriminam ou prejudicam as mulheres. Exemplos incluem:

 

- Mutilação genital feminina

- Casamentos forçados ou infantis

- Rituais de purificação ou exílio de mulheres consideradas impuras

 

 Conclusão

A violência contra a mulher é uma questão complexa e multifacetada que exige uma abordagem abrangente para sua prevenção e erradicação. É crucial que governos, instituições e a sociedade em geral se comprometam a implementar políticas, programas e ações que promovam a igualdade de gênero e protejam os direitos das mulheres. Combater a violência contra a mulher não só melhora a vida das mulheres, mas também contribui para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.